Sei que uma enormidade de gente anda estressada. Talvez até eu mesmo também esteja, ainda que não tenha plena consciência ou sensação disso. Sabemos todos que o estresse produz um cansaço e uma insatisfação no caminho que seguimos e isso constrange, claro. Mas, me coloco como quem está disponível para vivenciar o que me surgir adiante. Seguramente não me exponho ao mundo como o melhor exemplo, como o melhor modelo. Lembro bem que meu pai não aceitava algumas dessas pretensões exibitórias. Coisa que também não me modelava e continua não me servindo.
Com certeza não fico amarrado ao que passei nos anos anteriores a hoje. Mas não rejeito a todos. Algumas passagens foram de encantamento. Jamais as vou recusar. Não as destaco como exaltação, mas como alegrias na minha vida. Por vezes levamos muito tempo para nos darmos conta de momentos especiais passados em nosso percurso. Porém, se nos damos a alegria dessa satisfação, por que não repassá-las aos demais?
Esta semana ouvia uma música do querido Gonzaguinha, na televisão. Era aquela obra antiga para muitos de hoje que talvez nem a conheçam, “o que é o que é”, composta em 1982. Deem uma assistida por aí, pela internet, pela televisão. Ela tem uns versos, lindos e simples, que repito aqui:
“viver/ e não ter a vergonha/ de ser feliz/ cantar e cantar e cantar/ a beleza de ser/ um eterno aprendiz”.
Em vez de chorar e chorar e chorar, por que não cantamos e cantamos e cantamos?
Está certo, também é bom chorar, soltamos o negativo e nos libertarmos de um tanto do mal. Lágrimas, é verdade também nos limpa. Mas sem ficar cultivando o que nos abate.
Nessa estrofe o Gonzaguinha usa de uma expressão especial, o “eterno aprendiz”. Essa expressão é muito repetida pelos membros da Ordem Maçônica que se pretendem eternos aprendizes, assim, temos sempre de imaginar que temos mais e mais a saber a cada passo que damos. Não creio que ele tenha sido maçom, mas o seu pai, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, sim, foi maçom e muito respeitado. Por isso, imagino, tenha passado ao filho esse ideal. Podemos sempre aprender mais e mais. Coloquemo-nos disponíveis.
Numa outra estrofe da letra da mesma música, Gonzaguinha amplia sua interpretação positiva:
“Ah, meu Deus!/ eu sei, eu sei/ que a vida devia ser/ bem melhor e será/ mas isso não impede/ que eu repita/ é bonita, é bonita e é bonita”.
Que leitura bonita, que leitura feliz do nosso mundo, da nossa vida! Coisa para nos estimular a nos encantarmos pelo caminho que seguimos. Gente, a vida devia ser bem melhor e será! Temos de olhar com olhos mais positivos. Olhar a vida com mais esperança! Como dizia a gente da minha geração, sem “abaixar a crista”!
Conheci pessoalmente o Gonzaguinha em 1970, quando a minha família se mudou para o Rio de Janeiro. Ele era um líder do movimento estudantil também, mas já se apresentava com músicas. Um tempo depois eu saí do país, seguindo em frente na minha vida. Ele se tornou um ídolo nacional.
Todos nós temos encantos a serem passados aos demais. São as alegrias da vida.



