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Cultura

Batalhas de rap invadem Alto Tietê e atraem centenas de fãs e simpatizantes

Em média, as batalhas promovidas no Alto Tietê reúnem em torno de 100 a 150 pessoas. Mas, também, podem atrair até 600

20 agosto 2017 - 15h23Por Marcus Pontes - da Região

Há pelo menos duas décadas, o rap brasileiro leva a mensagem de reflexão e mudança ao dia-a-dia das pessoas. As letras abordam desde o cotidiano vivenciado na periferia até a situação política e econômica no País. No cenário nacional, um artista destacou-se por começar em uma batalha de rima. Trata-se do rapper Emicida. Em nível regional, as chamadas rodas culturais estão ganhando forma e atraindo centenas de fãs e simpatizantes do gênero a três municípios da região: Suzano, Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes.

Em média, as batalhas promovidas no Alto Tietê reúnem em torno de 100 a 150 pessoas. Dependendo do evento, o público pode chegar a até 600. Os movimentos de rap frisam que a intenção das batalhas não é apenas o entretenimento, mas sim levar a reflexão ao cotidiano da região, além da mensagem de acolhimento e o não uso às drogas. Nos municípios onde as batalhas acontecem, os simpatizantes do gênero poderão reservar três dias da semana para acompanhar os eventos: quarta-feira, sexta-feira e sábado. 

Em Suzano, o público pode acompanhar a "Batalha do Escadão", que ocorre, na quarta-feira, a partir das 19h30, na Praça das Águas, no Centro de Suzano. O evento é promovido por dois grupos de rap: Vind'kebra Krew e Monera Máfia. Segundo um dos organizadores, Gabriel Henrique, o local atrai semanalmente 100 pessoas. “Resolvemos trazer algo diferente para cidade. Achamos importante esta iniciativa, pois, às vezes, os jovens ficavam nas ruas, com a possibilidade de entrar no mundo das drogas. Com a roda cultural, eles vêm e se ocupam, e ainda damos conselhos para não se envolver com isto”, frisou.

Ainda segundo ele, o evento atrai fãs, mas também expõem o preconceito ao gênero, bem como a desinformação divulgada por redes sociais. “As pessoas acham que é um movimento errado, porém, é um movimento que busca acolher a todos, principalmente para oferecer cultura àqueles que não têm e, também, uma segunda família”. Henrique também contou que o movimento foi criado em fevereiro deste ano.

A batalha de rima mais antiga da região acontece em Mogi das Cruzes. Há oito anos, a Batalha da Arena Mc's é realizada toda sexta-feira a partir das 18 horas, na Rua Basílio Batalha, 180, na Vila Vitória. Para o organizador e mestre de cerimônia, Diego Franco Torres, o Dy Loko, o evento começou apenas com mogianos. Com o passar dos anos, a roda cultural tornou-se a terceira mais antiga do Brasil, ficando atrás da Liga dos Mc's e a Batalha do Santa Cruz. 

"Daqui sai eventos grandes, não conseguimos mensurar uma média de público. Teve momentos que 600 pessoas vieram. Os que mais atraem são de Desafio e a Eliminatória do Duelo Nacional, onde vão os melhores rappers do País", ressaltou. 

Torres também destacou que o evento traz consigo a oportunidade de representar literalmente o cenário das ruas. "Infelizmente não temos quase ajuda. Pelo fato de ser uma cultura de rua, nós olhamos casos, pessoas, famílias que podem ser edificadas simplesmente com as palavras de um Mc, que é um porta-voz de uma mensagem de motivação". Segundo ele, o momento mais especial nas batalhas é quando os jovens são resgatados de momentos difíceis, como o uso das drogas. "Pessoas sendo resgatadas e tomando outro rumo, fazendo acreditar num sonho de ser o que ela quiser. Essas coisas são as que nos deixam mais contentes".

DS acompanhou a “Batalha Central de Itaquá, na Praça João Álvares, no Centro de Itaquaquecetuba. O evento é promovido pelo grupo “Itakaosclan”. Os organizadores do evento ressaltam que a batalha de rimas começou há pouco tempo, mas já conseguiu tirar jovens das ruas e dar-lhes um motivo para viver. "Aqui na praça, alguns jovens vinham e ficavam usando drogas. Começamos a batalhar e eles se aproximaram. Agora, eles deixaram de se desocupar com drogas, e estão participando das batalhas. “É isto que nós queremos trazer algo para tirá-los das ruas”, contou Vini Nagamini.

Poder Público

A falta de estrutura e apoio do Poder Público é a principal queixa dos movimentos. Segundo eles, o movimento rap tentou manter diálogos com as Prefeituras, mas, até o momento, nada foi proposto. “Em questão do Poder Público, o conhecimento eles tem. Mas, a legalização do evento batalha é difícil e muito burocrática. Geralmente, a rejeição das pessoas acaba corroborando para que isto demore”, enfatizou Gabriel Henrique.