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Iniciativa

Projeto ‘Literatura e Paisagismo’ revitaliza bairros na periferia

Proposta de revitalizar locais começou no Jardim Revista e deve ser expandido para outros bairros

15 julho 2017 - 21h47Por Marília Campos - De Suzano
O escritor suzanense, Ademiro Alves, o Sacolinha, iniciou recentemente o projeto "Literatura e Paisagismo- Revitalizando a Quebrada" no bairro Jardim Revista. A ação tem por objetivo a ocupação do espaço público, por meio do resgate de áreas abandonadas da periferia. O trabalho, realizado em parceria com grafiteiros da cidade, já revitalizou 11 pontos e pretende ser expandido para outras localidades. O próximo bairro a receber a iniciativa deverá ser o Miguel Badra.
 
Há dois meses Sacolinha deu inicio às revitalizações no Jardim Revista. "É um projeto de qualidade de vida. Dá cor à comunidade, onde as pessoas vivem, trabalham e dormem. Além da reflexão atrás dos textos literários". O trabalho consiste na limpeza de áreas ociosas e aproveitamento do espaço para grafite. "Eu limpo, pinto e pago o grafiteiro para colocar um trecho (literário) meu e fazer um desenho, que vai interagir com o espaço. E, às vezes, acabo plantando uma árvore", explica.
 
Para o escritor, essa também é uma forma de a literatura se fazer presente na periferia. "Quando a pessoa passa na viela sem lixo, mas com cor, os olhos agradecem por ver aquilo. Tem gente que nunca foi à biblioteca, mas está lendo o projeto", diz. "A literatura no muro é algo novo. É provocar as pessoas a pensar sobre a humanidade, sobre o pensamento humano". As intervenções acontecem duas vezes por mês. Os muros recebem a arte do grafiteiro Tody One e outros artistas convidados da cidade. 
 
Até o momento, 11 locais foram revitalizados. Os pontos ficam na Rua Vênus, Rua Agulha Negras, Rua Guarani e Rua Cumbica. Entre os versos grafitados, Sacolinha destaca as passagens "O sol sempre foi sol, a gente é que anoitece" e "Seu João, sexagenário, passou a vida toda trabalhando e juntando bens. Às vésperas de se aposentar, sofreu um enfarte: morreu, com as mãos fechadas e o coração vazio".
 
"O pessoal costuma tirar foto, isso significa orgulho para o bairro. Se (antes) não tirava foto, é porque não tinha autoestima. Um morador disse que a imprensa só vinha cobrir a criminalidade e agora vem por uma causa melhor", explica.
 
A desconfiança é um dos sentimentos despertados diante da iniciativa do suzanense. "As pessoas estranham quando digo que não ganho nada em troca, apenas divulgo meu trabalho, a poesia. Minhas filhas vivem aqui, precisam de um bairro bonito. A intenção é fazer 10 intervenções por bairro de periferia, não só em Suzano. Assim que terminar, partirei para o Miguel Badra", conclui.