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Jornal Diário de Suzano - 28/04/2026
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Cidades

Infecção urinária pode afetar gravemente os rins; saiba identificar a pielonefrite

Enquanto a cistite é restrita à bexiga e provoca sintomas locais, a infecção renal já apresenta sinais mais intensos e sistêmicos

28 abril 2026 - 15h57Por da Reportagem Local

A infecção urinária está entre as condições mais comuns na população, com maior incidência entre mulheres, mas também presente em homens, especialmente com o avanço da idade. Apesar de, na maioria das vezes, ser um quadro simples e restrito à bexiga, quando não tratada corretamente pode evoluir para uma condição mais grave: a pielonefrite, infecção que atinge os rins e pode levar à internação e a complicações mais sérias. 

De acordo com o nefrologista Victor Jordão, da Hapvida, a pielonefrite é uma infecção renal geralmente causada por bactérias que sobem pelo trato urinário. “A pielonefrite é uma inflamação dos rins provocada, na maioria dos casos, por bactérias que saem das vias urinárias mais baixas, como a bexiga, e ascendem até os rins”, explica. 

A principal diferença entre uma infecção urinária comum e a pielonefrite está na localização e na gravidade. Enquanto a cistite é restrita à bexiga e provoca sintomas locais, a infecção renal já apresenta sinais mais intensos e sistêmicos. “Na cistite, os sintomas são mais localizados, como dor ao urinar e desconforto na região inferior do abdômen. Já a pielonefrite costuma vir acompanhada de febre, dor lombar intensa e queda do estado geral, podendo se tornar uma infecção sistêmica”, destaca o médico. 

O caminho da infecção geralmente começa com bactérias presentes naturalmente no intestino, que colonizam a região genital e, por via ascendente, alcançam a uretra e a bexiga. A partir daí, podem chegar aos rins. 

Alguns fatores favorecem essa progressão, como baixa ingestão de água, segurar a urina por longos períodos, relações sexuais e até o uso de duchas íntimas frequentes. 

“Beber pouca água reduz a frequência urinária, o que facilita a permanência e a multiplicação das bactérias. Já o hábito de segurar o xixi contribui para que essa bactéria tenha mais tempo para subir pelo trato urinário”, explica. 

Sinais de alerta e fatores de risco 

Os principais sintomas que indicam o comprometimento dos rins são febre alta, dor lombar intensa e mal-estar generalizado. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico com urgência. 

Algumas pessoas apresentam maior risco de dar pielonefrite, como gestantes, idosos, diabéticos e indivíduos com imunidade comprometida. Mulheres também estão mais suscetíveis devido a fatores anatômicos. 

Além disso, o uso inadequado de antibióticos pode agravar o cenário. 

“O uso indiscriminado de antibióticos pode selecionar bactérias mais resistentes, dificultando o tratamento e favorecendo infecções mais graves”, alerta o especialista. 

Riscos e diagnóstico 

Quando não tratada corretamente, a pielonefrite pode causar complicações importantes. 

“O principal risco são infecções de repetição, que podem provocar cicatrizes nos rins e, ao longo do tempo, levar à perda da função renal”, afirma Victor Jordão. 

O diagnóstico é feito a partir de exames laboratoriais, sendo o exame de urina essencial. Em todos os casos, é necessário também realizar a urocultura antes do início do antibiótico. “A urocultura permite identificar qual bactéria está causando a infecção e qual o antibiótico mais adequado para o tratamento”, explica. 

Tratamento: quando internar? 

O tratamento varia de acordo com a gravidade do quadro. Casos mais leves podem ser tratados com antibióticos orais, enquanto situações mais graves exigem internação. 

“Pacientes com pior estado geral, dor intensa, vômitos ou dificuldade para ingerir líquidos podem precisar de medicação intravenosa. Em alguns casos, a própria bactéria só responde a antibióticos administrados na veia”, destaca. 

Prevenção ainda é o melhor caminho 

Para quem sofre com infecções urinárias recorrentes, a prevenção é fundamental. Medidas simples podem fazer a diferença no dia a dia. “Beber bastante água, não segurar a urina, urinar antes e após as relações sexuais e evitar duchas íntimas são estratégias importantes para reduzir o risco”, orienta. 

Um ponto importante é desmistificar a ideia de que apenas a ingestão de água resolve o problema durante uma crise. “Beber água ajuda na prevenção e na hidratação, mas não trata a infecção. A pielonefrite exige o uso de antibiótico adequado”, reforça. 

Atenção aos sinais 

A pielonefrite é uma condição séria, mas que pode ser evitada e tratada com sucesso quando diagnosticada precocemente. Ignorar os sintomas ou adiar o tratamento pode trazer consequências duradouras para a saúde renal. 

“Manter hábitos preventivos e procurar atendimento ao primeiro sinal de infecção são as melhores formas de proteger os rins”, finaliza o nefrologista. 

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