Municípios intensificam ações na rede de saúde materno-infantil diante do cenário recente da mortalidade infantil no Alto Tietê, que apresentou aumento em algumas cidades. Prefeituras da região destacam investimentos em prevenção, qualificação do pré-natal e ampliação da assistência como estratégias para reduzir os índices nos próximos anos. O cenário regional, porém, ainda exige atenção.
No domingo passado (22 de março), o DS trouxe reportagem mostrando que a taxa de mortalidade infantil no Alto Tietê aumentou 17,42% entre 2023 e 2024, na média geral das dez cidades (o índice subiu em 5 e caiu em outras 5). Segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a taxa passou de 10,41 por mil nascidos vivos em 2023 para 12,22/1.000 em 2024.
As cidades de Suzano, Poá, Santa Isabel, Guararema e Biritiba Mirim apresentaram elevação nas taxas, enquanto Mogi, Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Arujá e Salesópolis diminuíram. A taxa de mortalidade é calculada a partir do número de óbitos infantis a cada mil nascimentos.
Em Suzano, as mortes passaram de 10,69 em 2023 para 12,84 em 2024, alta de 20,11%. Na cidade, a principal aposta está no fortalecimento da Rede Alyne, que realizou, ao longo do último ano, 567 consultas pediátricas de alto risco, além de 623 inserções de implanon, 314 vasectomias, 578 avaliações psicossociais de planejamento familiar a 264 laqueaduras. A Secretaria de Saúde também reforça a necessidade de que profissionais sigam protocolos municipais, estaduais e do Ministério da Saúde.
Outra medida é a capacitação das equipes.
O município participará do treinamento “Os 10 passos para a redução da morbimortalidade materna”, no dia 5 de maio, promovido pelo Instituto da Saúde, com foco na prevenção e qualificação do atendimento. Segundo a Prefeitura, a redução da mortalidade materna está diretamente ligada à diminuição dos óbitos infantis.
Em Mogi, o cenário é mais positivo. O município registrou queda progressiva do indicador.
A Prefeitura atribui o resultado à ampliação do pré-natal, atuação de comitês de vigilância e programas como o “Mãe Mogiana” e o “Mãe Mogiana em Casa”, além de ações como busca ativa de gestantes e acompanhamento domiciliar.
Entre as novidades, está a previsão de inauguração de uma maternidade municipal, com o objetivo de ampliar o acesso ao parto seguro e humanizado, melhorar a assistência neonatal e fortalecer as políticas voltadas à primeira infância.
Já em Itaquá, a estratégia inclui a investigação de todos os óbitos por meio do Comitê de Prevenção do Óbito. O município implementou a “alta segura”, garantindo que mães e bebês deixem a maternidade com consultas já agendadas.
Outra iniciativa é o programa “Mãe Itaquá”, que integra o acompanhamento pré-natal a benefícios sociais, além do fortalecimento do planejamento reprodutivo como medida preventiva.
Em Arujá, o monitoramento dos indicadores é contínuo, com base em sistemas oficiais como SIM e SINASC. Entre as ações em andamento estão a ampliação do pré-natal, realização de exames, acompanhamento do recém-nascido, vacinação e iniciativas itinerantes para ampliar o acesso em áreas mais afastadas.
Como novidade, o município investe na construção de um hospital com previsão de entrega em 2026, que contará com UTI Neonatal, ampliando a capacidade de atendimento a gestantes e recém-nascidos.
No caso de Guararema, os dados são analisados individualmente pelo Comitê Municipal de Investigação de Óbitos Maternos e Infantis. A cidade aposta no acompanhamento integral do pré-natal, busca ativa de gestantes e ações educativas, além de metas previstas no Plano Municipal de Saúde para ampliar a assistência.
Em Santa Isabel, todos os casos também passam por análise detalhada. O município destaca a integração entre maternidade e atenção básica, com agendamento de consultas antes da alta hospitalar, além de visitas programadas à maternidade a partir da 20ª semana de gestação.
O DS entrou em contato com as prefeituras de Ferraz e de Poá, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
De forma geral, as prefeituras apontam que a redução da mortalidade infantil depende da integração entre os serviços de saúde, do fortalecimento do pré-natal e da continuidade do cuidado após o nascimento.
Apesar das iniciativas, o aumento registrado em parte da região indica que o desafio permanece, exigindo ações contínuas para reduzir mortes evitáveis e garantir assistência adequada desde a gestação até os primeiros anos de vida.




Municípios ampliam ações de prevenção, pré-natal e atendimento especializado - (Foto: Divulgação)




