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Jornal Diário de Suzano - 03/12/2021
COLUNA

Gisleine Zarbiettis

é jornalista especialista em Educomunicação, autora do livro “Memórias de Suzano - história e fotos de todos os tempos, do vilarejo à cidade grande”; empreendedora e mãe

Mulheres no poder e o efeito ‘supermadres’

14 JAN 2021 - 05h00
Mesmo os avanços ainda que tímidos na última eleição, a baixa representatividade feminina nos espaços de poder vem provocando debates e impondo reflexões na sociedade. O principal questionamento está na disparidade do percentual de mulheres na sociedade, que embora maioria, mostra-se muito aquém de reverter esse potencial nas urnas. Mas a grande preocupação que deveria nortear este debate é o fato de que a presença feminina na política ainda não superou a condição de subserviência a "interesses masculinos". 
O Alto Tietê não foge da regra que coloca o Brasil em uma das últimas posições em representação política feminina na América Latina. Mesmo tendo eleito duas mulheres prefeitas em um contingente de dez cidades, o número está abaixo da média nacional e não reflete indicativos de avanços nas pautas relacionadas a gênero.
O fenômeno das "Supermadres", denominado pela escritora Elsa Chaney para designar a representatividade feminina no poder na América Latina também se reproduz por aqui. O histórico de eleitas não só nas eleições de 2020 como em outros pleitos reflete majoritariamente a imagem de mulheres dotadas de um forte vínculo a figuras masculinas - velhos "caciques" da política -, sejam elas no papel de esposas, as "supermadres", qualquer outro grau de parentesco ou condição de subordinação masculina.
Talvez isso ajude a explicar porque ainda somos tão suscetíveis à aprovação de pautas de gênero, porque o Brasil retrocedeu tanto na abordagem feminista e também porque mesmo tendo alcançado o poder, muitas mulheres continuam reféns de pretextos machistas.
Essa observação não traz qualquer indicativo de incapacidade por parte das eleitas, não as nivela a mesma condição de seus mentores e tampouco pressupõe qualquer resquício de inferioridade. Apenas evidencia uma necessidade: as mulheres ainda precisam aprender a protagonizar a própria história na política e construir uma identidade alheia a laços sanguíneos, instituições matrimoniais ou outros vínculos de subordinação. Só assim avançamos na legislação de gênero, conquistamos autonomia e trilhamos o verdadeiro caminho da emancipação.

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