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Jornal Diário de Suzano - 16/06/2021
COLUNA

Suami Paula de Azevedo

É escritor, responsável pela Mirambava Editora, palestrante e professor universitário. E-mail: suamiazevedo@uol.com.br

A Soma de Todas as Coisas Somos

15 MAI 2021 - 05h00
Somos o que somos. A soma de todas as coisas. De tudo que nos compõe. De tudo que existiam antes de nós. Das coisas que se realizam em nós.
Quando era jovem uma pesquisadora na França, Julia Kristeva, usou uma expressão para designar essa tão ampla composição em que nos tornamos. Kristeva de origem búlgara, mas de cultura francesa, creio, está chegando aos oitenta anos. Uma psicanalista, filósofa, uma linguista maravilhosa que percebeu que todas as nossas invenções verbais atuais, com certeza, não chegam mesmo a serem invenções. Em 1975, na Europa, ao terminar o Mestrado e iniciar o Doutorado, ela me serviu de base para muito. Seus estudos ultrapassaram a simples Linguística. Ciência essa que busca interpretar a expressão verbal do ser humano. Busca saber como nos comunicamos. Assim, foi, por natural via de consequência, revelando-se in suficiente para tudo explicar da tal da nossa comunicação. Como os seres humanos se comunicam entre si? Como fazemos as nossas relações se realizarem, ou não?
E aí constatamos que nós, humanos, usamos muito mais do que só a expressão verbal. Usamos bem mais do que só palavras. Por conta disso, entender a comunicação só estudando a expressão verbal exibia-se absolutamente insuficiente. Pois, na verdade, o ser humano usa outras formas para expressar-se em seus discursos. Usamos outros sons. Usamos também os gestos. Usamos uns tantos sinais que nos possibilitam chegar mais longe. Por isso mesmo tivemos de criar uma outra ciência, a Semiologia. Pois não é que essa nova ciência também vai acabar se revelando ainda insuficiente. Os homens, que se realizam pelas suas relações entre si, sempre ampliam suas formas de expressão, sem parar. E foi necessário se chegar a outra ciência, a Semiótica.
E Julia Kristeva percebeu que o ser humano não inventava nada, mas adaptava o que já existia às suas novas condições, às suas novas situações no mundo, às suas novas necessidades.
Foi então que ela identificou, com felicidade, uma expressão que representava essa forma do homem se mostrar nas suas relações, a que denominou de “intertextualidade”. Com isso ela buscava dizer que somos o que recebemos dos que nos antecederam, do que aprendemos com os nossos contemporâneos, do que recriamos com tudo o que vivenciamos. Então ela foi explicitando, intertextualidade é uma relação, um “diálogo” entre textos. Tudo o que produzimos é nossa cultura, e nossas expressões se relacionam. Parece complicado? Pois pense que toda vez que dizemos, escrevemos, algo, expressamos o muito por que já passamos. Por isso tudo, nunca inventamos completamente, ainda que nos pareça assim. Repassamos o tanto que entrou em nós do que recebemos dos outros.
Caramba, não somos mesmo originais. Com toda a certeza alguém já disse antes o que agora dizemos. Alguém já fez o que fazemos agora nas nossas relações.
Somos mesmo a soma de todas as coisas que já vivemos, do que ouvimos, do que assumimos, como nosso, de gente que nos antecedeu.
Temos de respeitar mais os que nos antecederam. 
UMC
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