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Jornal Diário de Suzano - 12/05/2021
COLUNA

Suami Paula de Azevedo

É escritor, responsável pela Mirambava Editora, palestrante e professor universitário. E-mail: suamiazevedo@uol.com.br

Olhando o Mar

27 FEV 2021 - 05h00

O mar sempre encanta. Quem o descobre depois de adulto sempre fica mais impactado ainda. Tive a felicidade de encontrar com o mar ainda criança. Quando bem pequeno vivíamos em Porto Alegre, com o rio Guaíba, ante a Lagoa dos Patos, coisa fluvial. Ainda que pelo imenso horizonte nos impressione como mar. Mas logo fomos para Salvador, na Bahia, e seu imenso mar. Convivia com o pintor Pancetti. Ele me aceitava e me exibia suas leituras do oceano, de cores e amplitudes. 
Depois o mar que encontrei foi o do Rio de Janeiro, destacadamente a visão de Copacabana, e também de Niterói, com a querida Icaraí. E ainda após vivi em Santos e Guarujá, que me recebem como velho amigo ou amigo velho, já nem sei bem. 
E minha Poesia sempre se envolveu com a água, especialmente o mar. E as metáforas se misturam. Este Poema busca dizer "Tem Vez":
"Tem vez em que me chega / Tão forte quanto o mar/ nem sei porque ainda tento escapar/ dessas suas ondas/ algumas tão frias/ quando se lança nas imagens irrefletidas/ de um corpo de travessa menina / sobre as falésias escarpadas/ das minhas frívolas lembranças de ventania/ crenças vazias não mais que imaginação/ inebria-me os sentidos lassos/ afoga as tolas esperanças minhas/ de versos a minha mão".
Este faz parte de uns tantos, perto de uma centena, que vou juntando há anos, com a referência marcada. Quem sabe se faz um livro mais adiante. Até agora o conjunto leva o nome de "Olhando o Mar". Mas, quem sabe o que virá? Vou me colocando disponível. O horizonte marinho se abre.
Quando da minha adolescência Santos não era a imensa Copacabana em que hoje se tornou. Fazíamos a pé da Ponta da Praia ao Zé Menino conversando. Nos tempos de Faculdade, descíamos de São Paulo ao Litoral e circulávamos, São Vicente, Santos e Guarujá, onde a praia da Enseada não era praticamente habitada. Estendia-se em areia o que hoje são ruas e avenidas. Estou falando de uns cinquenta e poucos anos. 
Antes, lá atrás, já havia regras para ocupar as praias, "não leve seu cão, não toque som alto, não deixe sujeira, evite jogos de grupos...", mas... poucos seguiam. Com a pandemia passou-se a exibir um desregramento ainda maior, não só por falta de higiene, por falta de educação. Por todo o Brasil. Sabemos que a coisa está se exibindo como algo que vai se alongar. Não querer ver não faz o mal desaparecer. Enfrentemos.
"Jamais": 
"o mar jamais nos afasta/ encanta o eterno repetir marinho/ que doce chega a meus pés/ acarinha/ vem e vai//
adiante mostra a concha/ que se enrola sobre si mesma//
a sua poesia me questiona por quê/ não nos voltamos mais sobre nós mesmos/ olhar para dentro de si/ só um instante de silêncio/ a ouvir o sussurrar/ das vagas a se repetir/ e nos dizer/ suavemente liquidas/ o que o vento em nosso ser/ insiste/ sem que queiramos ouvir/ reconhecer/ perceber/ somos o que vive/ dentro de nós".
Quem sabe por isso queira perceber, ou, ao menos, sentir o horizonte imenso adiante, como frente ao mar. Não sou do tipo pessimista. Não jogo fora as esperanças. A Poesia nos ilumina. Podemos ver. 

 

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