O técnico de ginástica artística Rodrigo Miranda, natural de Suzano e integrante da comissão técnica da seleção feminina da Venezuela, destacou a evolução da modalidade no Brasil e compartilhou sua trajetória profissional durante o DS Entrevista.
Formado em Educação Física e com mais de três décadas dedicadas ao esporte, ele relembrou o início da carreira em um projeto social da prefeitura, falou sobre o crescimento da ginástica artística no Brasil e comentou a experiência de comandar a equipe venezuelana em competições sul-americanas e panamericanas.
Rodrigo contou que iniciou na ginástica artística em 1994, aos oito anos, na antiga Academia Health Club, em um projeto social desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Suzano. Segundo ele, a intenção inicial era apenas aprender movimentos acrobáticos, mas a experiência se transformou em uma carreira como atleta e, posteriormente, treinador. "Entrei só por brincadeira mesmo. A vontade era dar um mortal, fazer um flick. De lá para cá nunca mais saí da ginástica", relembrou.
Ao longo da carreira como atleta, Rodrigo disputou Jogos Regionais, Jogos Abertos, campeonatos paulistas, brasileiros e universitários. Já como treinador, começou a trabalhar com equipes femininas no início dos anos 2000 e viu atletas formadas por ele seguirem para clubes tradicionais do país.
O técnico explicou que, na academia Flica, fundada por ele em Suzano, as crianças podem iniciar a prática da modalidade a partir dos quatro anos de idade. O objetivo é oferecer uma base sólida de desenvolvimento físico e motor, independentemente de a criança seguir carreira como atleta. "A gente quer uma ginástica de qualidade. Nem todas vão se tornar ginastas, mas todas podem sair daqui correndo melhor, saltando melhor, com bons reflexos e uma vida mais saudável", destacou.
Segundo o treinador, a metodologia da Flica já contribuiu para a formação de atletas que hoje defendem grandes clubes brasileiros.
Entre os principais marcos da carreira, Rodrigo lembrou a participação na comissão técnica da seleção brasileira em 2016, quando conquistou o título sul-americano por equipes, além do trabalho desenvolvido atualmente com a seleção feminina da Venezuela.
Convidado para integrar a comissão técnica venezuelana após indicação de um colega da modalidade, ele assumiu o desafio de preparar a equipe para o Campeonato Sul-Americano, no Panamá, e para o Campeonato Pan-Americano, realizado no Rio de Janeiro.
Mesmo diante de limitações estruturais e do número reduzido de atletas disponíveis no país, destacou a evolução da equipe ao longo da temporada. "A gente saiu da Venezuela com o objetivo de ficar entre as seis melhores equipes e conseguimos alcançar esse resultado. Também classificamos atletas para quatro finais e voltamos com duas medalhas, uma de prata na trave e outra nas barras paralelas", destacou.
O treinador afirmou que retornaria à Venezuela para dar sequência à preparação da equipe para o Campeonato Sul-Americano Adulto, na Argentina, mas a viagem foi adiada após o terremoto que atingiu o país.
Segundo ele, o contato com atletas e integrantes da comissão técnica tem sido constante enquanto a população tenta retomar a rotina. "É muito triste. Quando a gente está longe não consegue ter dimensão do que realmente acontece", afirmou.



Rodrigo Miranda Destacou a evolução da modalidade no Brasil e compartilhou trajetória - (Foto: Edgar Leite/DS)




