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Jornal Diário de Suzano - 01/04/2025
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CAMARA SUZANO
Cidades

Sincomercio e ACE Suzano são contra fim da escala 6x1; população fica dividida

Desde a semana passada, PEC da deputada federal Erika Hilton tem ganhado as redes sociais e o debate na sociedade sobre essa escala de trabalho

15 novembro 2024 - 05h00Por Gabriel Vicco e Fernando Barreto - de Suzano
O fim da escala de trabalho 6x1, onde o empregado trabalha seis dias corridos e folga um, tem repercussão no País e no Alto Tietê. O DS buscou a Associação Comercial (ACE) e o Sincomercio para saber a opinião deles sobre a mudança.
 
As duas entidades são contrárias ao fim da escala e afirmam que vai impactar negativamente os pequenos negócios, “que são os principais empregadores do País”.
 
A mudança tem ganhado repercussão desde a semana passada quando a PEC, protocolada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL), caiu nas redes sociais.
 
Ela defende na PEC o fim da escala 6x1 e a criação da escala 4x3. A proposta tem ganhado adesão até de deputados de direita, como do PL.
 
A PEC precisava de pelo menos 171 assinaturas para começar a tramitar. E atingiu a meta nesta semana.
 
Segundo a ACE, “a mudança causará um “grande impacto financeiro” nas empresas e poderá ser um ‘grande retrocesso’ em conquistas recentes da sociedade brasileira”.
 
A ACE ressaltou que nos últimos anos, a sociedade brasileira registrou um grande avanço na flexibilização das relações trabalhistas. “Contudo, a imposição de um novo regime por meio de uma PEC pode ser um grande retrocesso nestas conquistas”, disse.
 
A associação afirmou que uma alteração forçada na escala de trabalho causará um grande impacto financeiro às empresas, principalmente nos empreendimentos menores, o que pode aumentar o desemprego.
 
“Dentro deste contexto, teremos muitos postos de trabalho abertos por falta de qualificação ou por desinteresse financeiro, por conta da existência de outras formas de remuneração que não oferecem a segurança de um trabalho formal”.
 
No entanto, a ACE disse ser “a favor de um regime trabalhista no qual as relações de trabalho possam ser mais flexíveis em relação ao acordo direto entre empregado e empregador dentro da legislação vigente, afinal, cada segmento e serviço possui suas particularidades”.
 
O Sincomercio também emitiu nota nesta semana, onde diz que a mudança pode impactar negativamente as Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
 
“Isso (fim da escala 6x1) poderia resultar na perda de postos de trabalho, na substituição de funcionários por mão-de-obra mais barata e até na busca de uma segunda fonte de renda pelos trabalhadores, o que poderia aumentar a jornada de trabalho ao invés de reduzi-la”.
 
As duas entidades acreditam que o atual modelo “oferece solução eficaz”.
 
ACE e Sincomercio acreditam nas negociações entre o empregado e empregador.
 
“O modelo ideal, na visão do Sincomercio, ainda seria o tradicional 6x1, sendo que modelos como 5x2 ou 4x3 poderiam ser discutidos setorialmente e empresarialmente, por meio de convenções coletivas”.
 
População
 
O DS foi às ruas de Suzano para ouvir a população da cidade sobre a PEC e viu uma divisão entre pessoas que defendem a escala 6x1 e outras que são a favor da proibição desta escala de trabalho.
 
Dener Henrique entende que a proibição seria boa para dar tempo de lazer às pessoas. “Seria bom. O povo não tem tempo de viver trabalhando de segunda a sábado, seria bom trabalhar de segunda a sexta-feira. Seria bom proibir. Acho que o 5x2 é o ideal mesmo, o 4x3 seria bom, mas não tem necessidade”, disse.
 
Gabriel Deiró também se posicionou de forma contrária à escala de trabalho 6x1, mas entende que o texto atual tem problemas. “Essa escala é um caos, é tortura, você não consegue fazer nada em paralelo, sou contra. Na escala 6x1 você só tem uma noite completa, não existe produtividade. Do jeito que o texto está hoje não dá, tem que ser conversado, mas eu sou contra a escala”, disse.
 
Ele continuou afirmando que não é possível proibir o 6x1 e implantar o 4x3 ao mesmo tempo. “Não dá para fazer isso do nada. Até poderia funcionar, mas acho que é uma coisa de cada vez. Foca na 6x1, deixa o mercado se adaptar e aí pensa na 4x3”.
 
Júlio César dos Santos disse que trabalha atualmente na escala de seis dias de trabalho por um de folga e afirma que é ruim. “Deveria mudar. A gente não tem vida. Em algumas classes vai ser difícil adaptar, porque não tem muito funcionário. Acho que tem que mudar, mas tem que ser bem estudado para não acabar prejudicando o empregador. Para quem trabalha na escala 6x1, ficar em casa dois dias é um sonho”, disse.
 
Alisson Silva tem a visão de que é melhor deixar da maneira que está. “Acho melhor a escala 6x1 do que a 4x3. Para mim é melhor, não sei para os outros. O meio termo, com a escala 5x2, também pode ser bom, mas o melhor para mim é o 6x1”, disse.
 
Rodrigo Paulo entende que a forma que a PEC está feita “não dá benefício nenhum”. 
 
“Pelo que eu vi, não acho que tenha benefício nenhum. Não pensaram nos empresários, nas empresas. Como as empresas vão reagir? Vai ter que mudar tudo. Aí institui a escala 4x3 e o empregador coloca o funcionário para trabalhar quinta, sexta, sábado e domingo e folgar segunda, terça e quarta. Tem sentido? Para mim não, quero ficar domingo em casa”, disse.
 
Na visão dele, é melhor deixar do jeito que está, mas se for bem pensado a mudança pode ser feita. “É a escala tradicional, está aí até hoje. Para mim não muda, deixa desse jeito. Se for mudar isso aí, vai mexer muito com as empresas. Acho melhor desse jeito que está, mas se for bem pensado, bem elaborado, pode ser mudada. Tem que ser um projeto bem feito, não é jogar lá de qualquer jeito”, opina.

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