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Jornal Diário de Suzano - 24/08/2019
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COLUNA

Eduardo Caldas

Foi candidato a prefeito em Suzano em 2004. É professor de Gestão Políticas Públicas na USP

Agricultura Urbana em São Paulo e Suzano

10 AGO 2017 - 06h00
O nheengatu, "língua geral", é também chamada língua "brasileira". Foi desenvolvida pelos jesuítas nos séculos 16 e 17 tomando como base o vocabulário e a pronúncia tupi. Atualmente, embora não seja praticada, é a base do dialeto caipira, que dentre outras características suprime o "r", seja no meio, seja no final das palavras. 
Daí, no processo de produzir café alguém pergunta ao outro: "pode por pó" em português e "pó pô pó" no dialeto caipira. É também por essa influência que se troca o lugar do "u" na palavra ou troca-se o "r" por "u". Então, fala-se "tauba" em vez de "tábua" e "maumita" no lugar de "marmita".
Com base no nheengatu, foi publicado recentemente por mim e pelo professor Martin Jayo um artigo no qual analisamos a agricultura urbana em São Paulo, procurando saber se a política de agricultura urbana favorece a produção de hortaliças "pavê ou "pacumê".
A Região Metropolitana de São Paulo, pouco a pouco, perdeu sua tradicional função de "cinturão verde" produtor de hortifrutigranjeiros, responsável pelo abastecimento da capital.
Apesar disso, historicamente, algumas experiências de agricultura urbana merecem destaque até como forma de estímulo a novas iniciativas.
Na década de 1980, por meio dos programas Nossa Horta e Horta e Criação Comunitária, o governo Montoro (1983-1987) espalhou hortas comunitárias pelo estado de São Paulo, inclusive na capital. Surpreendente é que algumas hortas instaladas na ocasião permaneçam até hoje produtivas, como é o caso das vinculadas à Associação de Agricultores da Zona Leste.
Em dezembro 1986, de acordo com dados publicados no jornal O Estado de Sã Paulo (17/12/1986), por meio dos programas Nossa Horta e Horta e Criação Comunitárias, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado registrava 1517 hortas na região metropolitana de São Paulo, entre comunitárias, institucionais e educacionais, que contavam com área média de 500 metros quadrados e eram responsáveis pelo fornecimento de alimentos para 300 mil pessoas.
Estas eram, inequivocamente, hortas "pacumê". Muitas delas instaladas em regiões como Mooca, Penha, São Miguel Paulista, Ermelino Matarazzo, Itaquera, Guaianazes e Vila Prudente.
Entre 2001 e 2004, mais de uma década depois do final do governo Montoro, a política de agricultura urbana foi retomada em nível municipal, em São Paulo. Desta vez o esforço não foi apenas do Executivo, mas ocorreu também no Legislativo. Foi aprovada, por iniciativa da vereadora Lucila (PT), a Lei Municipal 13.727/2004 que instituiu o Programa de Agricultura Urbana e Periurbana de São Paulo, que tinha entre seus objetivos declarados combater a fome, incentivar a produção para o autoconsumo e reduzir o custo do acesso ao alimento para os consumidores de baixa renda.
Neste caso, a luta foi para a construção de instrumento de políticas públicas municipais e pouco avançou além do plano discursivo. Ao contrário da experiência estadual dos anos 1980, não há registro de quantidade expressiva de hortas produtivas que tenham resultado do programa. Trata-se, portanto, de hortas mais "pavê" do que "pacumê".
Em Suzano, o programa incipiente de agricultura urbana iniciado no governo Marcelo Candido, mais "pavê" ainda que um pouco "pacumê", parece abandonada. Ao mesmo tempo, o "boom" imobiliário que levou muitas áreas de plantio a tornarem-se áreas de moradia avançam a pleno vapor.
É hora de repensar o "cinturão verde" e a agricultura urbana em Suzano e na Região Metropolitana de São Paulo. Trata-se de urgência, menos "pavê" e mais "pacumê".
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