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Jornal Diário de Suzano - 24/11/2017
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Após escândalo, ministro quer medidas rápidas para modernizar futebol

31 MAI 2015 - 08h00

O governo federal quer aproveitar a crise no futebol para esvaziar a CBF. Em entrevista, o ministro do Esporte, George Hilton, defendeu a criação de uma Liga para administrar o Campeonato Brasileiro, deixando a entidade apenas com a seleção brasileira, e a aprovação da MP do Futebol, que impõe contrapartidas criticadas pela CBF e por clubes.

Qual a sua ideia para o Campeonato Brasileiro?

Talvez seja o grande momento de a gente discutir a organização dos clubes de futebol no Brasil como acontece no restante do mundo. Você tem a Liga que administra os campeonatos nacionais e o órgão, que é a confederação, cuidando só da seleção daquele país. Ou seja, você teria o Campeonato Brasileiro sendo organizado por uma Liga e a CBF ficaria exclusivamente com a seleção.

Já conversou isso com a CBF?

Tenho defendido isso nas minhas idas aí pelo País. Claro que a CBF resiste, mas, se você pegar os países na Europa, vai ver que quem organiza os campeonatos nacionais é a Liga.

Quais as vantagens?

Vai ter muito mais capilaridade no Campeonato Nacional porque os clubes passarão a ter muito mais protagonismo na realização do campeonato e a CBF vai ter toda uma dedicação não só à Copa do Mundo, à Copa América, Copa das Confederações. A maioria dos clubes defende este modelo.

Esta descentralização diminui as chances de corrupção?

Não porque você vê que os clubes têm hoje todo o ônus, todo o planejamento do campeonato recai sobre eles. É a eles que é definido o repasse dos direitos de imagem, eles que têm que administrar a questão que envolve os estádios. A CBF apenas se coloca como a dona do processo, mas quem trabalha o tempo todo na efetivação já são os clubes. A Liga vai ter um papel fundamental.

A MP do Futebol tem sido criticada por dirigentes, que a consideram intervencionista. Como o governo lida com essa crítica? É possível alguma mudança?

Os clubes já começam a sinalizar a real necessidade de aderirem ao financiamento e nós vemos na MP o grande momento de depurar o futebol no Brasil em vista de todos esses fatos que estão aparecendo. E o Brasil dá um passo fundamental na modernização e na recuperação do futebol como um grande patrimônio da humanidade.

Prisões e denúncias envolvendo dirigentes da Fifa e da CBF facilitam a aprovação da MP?

Demonstram que realmente estamos no caminho certo. Acertamos com a MP do futebol. Esse clima todo que constrange o mundo e de certa forma nos envergonha, é uma demonstração clara de que o Congresso Nacional, que tem agora grande responsabilidade de aprovação deste texto, deve dar uma resposta à sociedade.

A bancada da bola é muito forte no Congresso, principalmente na Câmara. O governo conseguirá levar a medida adiante? Como estão as negociações?

Se fizermos uma reflexão do texto da MP, veremos que ela tem muito a contribuir, principalmente levando em conta que esta bancada que defende os interesses do futebol sabe que o momento exige mudanças claras e bem definidas.

O governo identifica indícios de compra de votos para a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014 ou de algum outro tipo de ato de corrupção?

Não. O ministro da Justiça (José Eduardo Cardozo) anunciou que a Polícia Federal vai fazer as investigações. Portanto, vamos aguardar do desenrolar dessas investigações.

A postura do governo em relação à CBF mudou consideravelmente entre o governo Lula e o governo Dilma. O que levou a este distanciamento?

Não há distanciamento. Existe o respeito entre as partes. A CBF, hoje, o órgão maior do futebol no Brasil, nós respeitamos as instituições. Porém, as instituições não estão acima da lei.

O governo brasileiro pedirá a extradição de José Maria Marin?

George Hilton - Não sei. Tem que ser uma postura do Ministério da Justiça. Essa conversa eu não tive.

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