A Secretaria de Meio Ambiente de Suzano e a Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo um projeto voltado à promoção da autonomia, da escuta e do fortalecimento de grupos vulnerabilizados no município. Participam da ação cerca de 15 mulheres atendidas pelo Instituto Olhar do Futuro, entidade que realiza trabalhos sociais no Jardim Nazareth, além de outras 15 pessoas, entre homens e mulheres, vinculadas à Univence, cooperativa responsável pela atuação nos centros de reciclagem da cidade. As atividades tiveram início há duas semanas e seguem até o fim de agosto.
O projeto é conduzido pelo analista ambiental da Prefeitura de Suzano Allan Santos de Oliveira, que cursa doutorado em Ciências pelo Programa Profissional de Pós-graduação em Ambiente, Saúde e Sustentabilidade da Faculdade de Saúde Pública da USP. A partir da pesquisa acadêmica, ele trouxe a iniciativa para o município com o objetivo de estimular reflexões sobre racismo ambiental e justiça climática no território.
A proposta é desenvolver oficinas participativas que permitam aos integrantes refletir sobre suas trajetórias, seus bairros, os desafios enfrentados no cotidiano e os desejos de transformação para a comunidade. Ao todo, o projeto trabalha com quatro tipos de atividades voltadas ao diálogo e à construção coletiva de ideias.
Entre elas está a oficina “Árvore dos Sonhos”, em que os participantes escrevem desejos, projetos e expectativas para a sociedade e para o território onde vivem. Já no “Muro das Lamentações”, o grupo registra dificuldades, problemas e obstáculos enfrentados no dia a dia, possibilitando uma escuta mais ampla sobre as demandas locais.
Outra atividade é a “História do Pedaço”, que propõe um resgate sobre o histórico dos bairros e das regiões onde os participantes moram ou atuam. A dinâmica busca fortalecer o sentimento de pertencimento e reconhecer a importância das vivências locais na construção de soluções para a comunidade.
De acordo com Allan Oliveira, a ação tem como foco despertar conhecimentos, ampliar a percepção dos participantes sobre seus próprios territórios e incentivar o protagonismo social. “O objetivo é promover uma participação ativa e reflexão crítica com foco em estratégia de atuação coletiva acerca dos desafios vividos por esses grupos, com destaque também para suas potencialidades. Quando as pessoas reconhecem sua história, seu território e sua capacidade de participação, elas fortalecem a autonomia e passam a enxergar novos caminhos para melhorar a realidade em que vivem”, destacou.
A iniciativa também se relaciona com as políticas públicas de sustentabilidade desenvolvidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ao integrar questões ambientais, sociais e de saúde. No caso da Univence, o projeto reforça ainda a necessidade do protagonismo dos catadores e trabalhadores da reciclagem na preservação ambiental e na economia circular do município.
Com a continuidade das oficinas até agosto, a expectativa é que os encontros contribuam para a valorização dos participantes, o fortalecimento dos vínculos comunitários e a criação de novas formas de diálogo entre poder público, universidade e sociedade civil.



Projeto é desenvolvido com mulheres do Instituto Olhar do Futuro, no Jardim Nazareth, e com catadores da Cooperativa Univence, no Miguel Badra - (Foto: Mauricio Sordilli/Secop Suzano)




