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Jornal Diário de Suzano - 21/11/2017
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Chão de Tempo

07 MAR 2015 - 08h29

suami-cor_Este, título, “Chão de Tempo”, repete o nome do primeiro livro publicado pelo poeta Roberto Cavenatti, amigo querido, irmão de luz.

Gosto muito da Poesia do Roberto. Ele é um bom Poeta, artista de qualidade. Sua obra é ampla hoje, quando chega aos sessenta anos de idade. Mas sua publicação sai só agora, numa síntese, breve, especialmente para quem toma gosto pelo seu gesto poético. Ele escreve bastante, mas arriscou, autonomamente, por sua conta, a publicação de seu primeiro livro, este de poesias, só agora.

Ele diz assim: “Profano ou santo,/ o ambiente em abandono chora./ A dúvida é fotografada,/ os olhos registram.” (A DÚVIDA)

Provoquei-o muitas e muitas vezes, por anos seguidos, que ele tentasse a publicação. Eu queria que ele mostrasse seu trabalho, já impresso, para mais gente. Sabia que quem o lesse ia gostar dos seus versos. E para mim, ele tinha o direito, direi mais, tinha o dever, de mostrar o que fazia com a Poesia que chegava as, que ele construía com, suas mãos.

Então leio: “As ruas pensativas,/ recordam,/ nas sombras dos arranha-céus,/ que um dia foram selva.” (POMBOS NEGROS)

A sua construção poética não é dessa garotada arrojada que pinta e borda com os versos tão pouco dizendo. Ele diz mais. E seu trabalho é simples, sem exageros de sofisticação. Contudo, seus versos são fortes. E nos impactam com sua sensibilidade. Ele descreve instantes que só veem os poetas, os demais viventes, tantas e tantas vezes nem se apercebem.

Assim: “Só que toca seu corpo,/ produz arrepios,/ germina a semente/ do seu lado erradio.” (FELINA)

Roberto fala do tempo, neste Chão de Tempo, claro, lembra ter chegado muito adiante no tempo de metade da nossa gente. Mas isso não é festa nem arrepio de frio a ser afastado. Ele segue avante, não importa quanto, não importa o vento, não importa o sentimento. Importa, sim, sua vontade de mostrar o que sentimos, lá no fundo de nós mesmos.

Lembrei desse calor: “Rodopie sentimentos,/ não imponha limites,/ arbitre seu perfume, conceda-me viagens.” (DANCE)

Dia desses, Roberto andou meio doentinho. Preocupou os amigos. Ele continuou na dele. Quando deu, apareceu uma caneta, um tablete, um jeito de escrever, ele soltou o que lhe banhava a pele, a água de sua fonte clara. Os versos saiam como sempre. Elaborados e inteiros. Sensíveis e metafóricos. Que bom!

“Cego e louco tateio caminhos,/ devasso labirintos,/ permeio emoções,/ infinitude./ Viço,/ arbitro tua exuberância,/ sou menino, criança.” (VIÇO)

 

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