O Alto Tietê registrou 11,92 assassinatos para cada 100 mil habitantes em 2024, aumento de 31,33% em relação a 2022, quando marcou 9 homicídios. Os dados são do Atlas da Violência, pesquisa divulgada nesta terça-feira (26), realizada anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
A pesquisa considera as cidades com mais de 100 mil habitantes. No Alto Tietê são Suzano (318.765 hab.), Mogi das Cruzes (468.120), Itaquaquecetuba (382.521), Ferraz de Vasconcelos (185.622) e Poá (106.431).
Poá, com 11 homicídios em 2024, registra taxa, de 14,1. Em seguida está Itaquá, com 28 assassinatos, taxa de 13,6; Suzano, tem 27 homicídios, taxa de 12,9; Ferraz marca 12 ocorrências, taxa de 11,9; apesar de mais populosa, Mogi registra a menor taxa da região, de 6,6, com 20 assassinatos no período e figura entre as 19 cidades mais seguras do país.
Em comparação com 2022, o número de assassinatos registrados é 13,95% maior, saltando de 86 para 98. No período, Itaquá, com 28, teve mais mortes, seguida por Suzano (25), Mogi (22), Ferraz (10) e Poá (1).
O estudo foi produzido a partir de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde (MS). O estudo aponta para um aumento significativo da subnotificação destes crimes. Da mesma maneira, a percepção de insegurança da população segue em alta.
Homicídios ocultos
Os casos em que o Estado não consegue identificar a causa básica do óbito como decorrente de acidentes, suicídios ou assassinatos são classificadas como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), os chamados homicídios ocultos. Essas mortes somaram 63 casos em 2024 na região, alta de 46,5% em relação a 2022, quando marcou 43 ocorrências.
Mogi teve o maior aumento de homicídios ocultos no período, passando de cinco para 11 (120%); seguida por Suzano, que dobrou de sete para 14 ocorrências (100); Itaquá saltou de 17 para 24 (41,17); Ferraz passou de nove para dez (11,11); por sua vez, Poá registrou queda, diminuindo de cinco para quatro mortes (-20%).
Brasil
Na contramão, o Brasil chegou, em 2024, ao menor patamar desde o início da série histórica do Atlas da Violência, iniciada em 2014. O país registrou 20,1 assassinatos para cada 100 mil habitantes, uma taxa 7,4% menor que a de 2023. Em números absolutos, foram 42.590 homicídios em 2024, o que representa uma queda de 6,9%.
Na avaliação do coordenador do Atlas da Violência, Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, o Brasil está passando por uma transição forte. Ao mesmo tempo em que vive a redução de homicídios, o país registra aumento da insegurança e manutenção ou crescimento das desigualdades que afetam populações minoritárias.
Em entrevista à Agência Brasil, Daniel Cerqueira disse que a taxa de homicídios, além de ser a menor da série histórica da pesquisa, também é a mais baixa desde 1998. Apesar disso, ele destacou que a piora da qualidade dos dados em 2024 surpreendeu os pesquisadores.
“Esperávamos que houvesse menos ou, pelo menos, o mesmo número de mortes violentas por causa indeterminada. Isso não ocorreu. Pelo contrário, o número aumentou muito em 2024 e fez sombra a essa queda histórica”.



Taxa de homicídios foi divulgada pelo Atlas de Violência - (Foto: Daniel Marques/Arquivo DS)




