As filas por consultas e procedimentos especializados seguem como um dos principais desafios da saúde pública no Alto Tietê. Levantamento realizado junto às prefeituras da região revela que, entre os municípios que informaram o número de encaminhamentos, mais de 22,6 mil pacientes são inseridos mensalmente no Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (Siresp). As maiores dificuldades para obtenção de vagas concentram-se em ortopedia, oftalmologia, nefrologia, cirurgia vascular, neurologia e suas subespecialidades, reflexo da oferta limitada de atendimentos disponibilizados pela rede estadual.
Suzano é o município com maior volume de encaminhamentos ao Siresp. A Secretaria Municipal de Saúde informou que cerca de 15 mil pacientes são agendados todos os meses. As especialidades mais críticas são ortopedia e oftalmologia, sendo que a primeira também registra o maior tempo de espera: em média, dois anos até a realização da consulta especializada.
O segundo maior volume é registrado em Ferraz de Vasconcelos, que encaminha aproximadamente 2,4 mil pacientes por mês ao sistema estadual. No município, as maiores dificuldades estão concentradas em nefrologia e cirurgia vascular, especialidade que também possui a fila mais longa devido à baixa disponibilidade de vagas ofertadas pelo Estado.
Em Mogi das Cruzes, a média entre janeiro e maio deste ano foi de 2.207 pacientes encaminhados mensalmente. A cidade também apresentou uma das listas mais extensas de especialidades com dificuldade de acesso. Além de alergologia, hematologia, genética médica, pneumologia infantil e cirurgia plástica, o município enfrenta escassez de vagas em diversas subespecialidades da oftalmologia, como plástica ocular, córnea, estrabismo e glaucoma, além de ortopedia de coluna e coloproctologia com reconstrução de trânsito intestinal (RTI). Entre todas elas, cirurgia plástica é a que possui maior prazo para agendamento.
Guararema informou uma média de 1.300 agendamentos mensais por meio do Siresp para atendimentos de média e alta complexidade não ofertados no município. A prefeitura explicou que não há uma especialidade fixa de maior fila, uma vez que a disponibilidade de vagas varia constantemente conforme a oferta estadual e a demanda regional.
Em Itaquaquecetuba, são disponibilizadas cerca de 980 vagas por mês, de acordo com a oferta do sistema estadual. As maiores dificuldades envolvem hematologia, nefrologia, genética médica, cirurgia vascular, gastropediatria, neurologia e diversas subespecialidades da oftalmologia, incluindo córnea, retina e glaucoma. As maiores filas de espera concentram-se justamente em nefrologia, cirurgia vascular e neurologia.
Arujá encaminha, em média, 800 pacientes por mês ao sistema estadual. O município aponta maior dificuldade para conseguir vagas em nefrologia, neuropediatria, reumatologia e urologia cirúrgica, sendo que neuropediatria e nefrologia registram os maiores tempos de espera.
Já o município de Salesópolis possui um fluxo reduzido de encaminhamentos via Siresp nas especialidades disponíveis, com média mensal de quatro pacientes para cardiologia, dois para gastroenterologia e três para cirurgia vascular. Apesar disso, a prefeitura informou dificuldades para obtenção de vagas em neuropediatria, alergologia, reumatologia, pneumologia infantil, proctologia e dermatologia. Entre elas, os maiores tempos de espera são observados em cirurgia vascular e neuropediatria.
As especialidades de ortopedia e oftalmologia aparecem de forma recorrente entre os municípios, especialmente quando consideradas suas subespecialidades. Nefrologia, cirurgia vascular, neurologia, hematologia e reumatologia também figuram entre as áreas com maiores dificuldades de acesso, indicando que a escassez de vagas não está concentrada em uma única cidade, mas se repete em diferentes pontos do Alto Tietê.
Em nota, o Departamento Regional de Saúde (DRS) da Grande São Paulo informou que a distribuição das vagas é realizada por meio de cotas definidas com base em critérios técnicos, levando em consideração a população de cada município e o Cadastro de Demanda por Recurso (CDR). O órgão afirmou ainda que monitora continuamente a utilização das vagas e promove reuniões periódicas com as Redes Regionais de Atenção à Saúde (RRAS) para discutir a ampliação da oferta e estratégias para reduzir o tempo de espera dos pacientes.



Ortopedia lidera procura por vagas na região - (Foto: Reprodução)




